1. De onde vem a palavra folclore?
A palavra folclore vem da expressão inglesa folk-lore, que significa "saber do povo". Foi criada no século 19, pelo escritor e colecionador de antiguidades William John Thoms, para identificar os costumes populares.
Podemos entender o folclore como os saberes e fazeres do povo brasileiro. Mas o que é esse saber do povo? Um bom exemplo são os remédios que usamos, pois na maioria das vezes eles foram fabricados a partir de plantas com propriedades medicinais, ou seja, que servem para curar doenças ou amenizar dores. Mas, muitos anos antes de estarem nas prateleiras das farmácias na forma dos remédios que você conhece, eles já eram preparados e utilizados por homens e mulheres que tinham grandes conhecimentos sobre a flora brasileira.
Assim, você pode perceber que esse saber do povo não é muito encontrado em escolas, faculdades ou outros espaços aonde vamos para aprender, mas existe e é um conhecimento produzido por pessoas como você e sua família.
2. Por que é importante para as crianças estudarem folclore na escola?
A escola já trabalha com cultura em seus conteúdos, em disciplinas como História e Geografia, por exemplo.
Cá pra nós, o que a escola faz o tempo todo é transmitir aquilo que nossa sociedade (e as outras também) criou, pesquisou, descobriu, ao longo dos anos, e isso tudo nada mais é do que cultura, desde os conhecimentos de matemática até as técnicas de desenho, por exemplo.
Se pensarmos folclore como cultura popular brasileira, vamos perceber o quanto é importante falar das expressões culturais que nos formam, não só aquelas que estão mais distantes de nós, mas também o que está bem próximo e atual: a escola pode trabalhar com as histórias, o conhecimento e as curiosidades trazidos pelos próprios alunos, por suas famílias, do seu bairro etc. E também as tradições comuns a todos.
3. Brincadeiras também são um tipo de folclore? Poderia citar um exemplo?
Sim, as brincadeiras também são folclore, pois são um tipo de expressão popular e existem várias que aprendemos uns com os outros.
As brincadeiras podem ser passadas de geração em geração e continuar atuais, como soltar pipas, jogar bolas de gude, brincar de pique-esconde, dança das cadeiras, entre muitas outras.
Sem contar que muitas dessas brincadeiras tradicionais podem se transformar, sem deixar de ser populares, como é o caso de vários "piques" (pique alto, pique-cola americano) e de brincadeiras de roda, que vão ganhando novos formatos e canções, de acordo com cada localidade e ao longo das gerações.
Isso, aliás, acontece o tempo todo, como se cada grupo fosse, mesmo sem querer, acrescentando mais um detalhe àquela tradição antes de passar pros mais jovens. Como diz o ditado popular, "quem conta um conto aumenta um ponto".
4. O que é um mito?
Um mito é uma narrativa tradicional criada e mantida pelas pessoas de uma comunidade (pode ser um grupo indígena, um grupo de imigrantes ou até um país inteiro!) que procura explicar os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do mundo e dos seres humanos, por meio de deuses, semideuses e heróis (todas criaturas sobrenaturais).
Digamos que o mito é uma primeira tentativa de explicar a realidade.
5. O mito tem alguma ligação com o dia a dia das crianças, ou das pessoas em geral? Ou é só uma lenda?
Sim, eles têm relação com a gente porque procuram explicar os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, a origem do mundo etc.
É muito comum, na história da Humanidade, as pessoas, em todas as culturas, buscarem explicações 'mágicas' para as coisas que não entendem. Assim, os mitos estão presentes no nosso dia-a-dia, nas nossas crenças, mesmo que a gente não pense muito sobre isso.
6. Como a pessoa se torna uma especialista em folclore? É preciso cursar alguma faculdade específica?
Não existe uma formação especial, mas váreas áreas de conhecimento que permitem você se especializar no tema, principalmente as áreas ligadas à cultura, como antropologia e ciências sociais, história, educação artística, música, museologia, educação física. Mas existem profissionais de diversas áreas que trabalham com o tema.
7. Na sua opinião, quais os museus mais interessantes sobre folclore, no Brasil ou no exterior?
Sobre folclore, culturas e tradições populares, algumas indicações:
Além do nosso, o Museu de Folclore Edison Carneiro, tem ainda, no Rio, o Museu Casa do Pontal, o Museu de Arte Naïf.
Em Recife, tem o Museu do Homem do Nordeste, e em Olinda/PE, Museu do Mamulengo; em Belo Horizonte, o Museu de Artes e Ofícios; em Natal, o Museu Câmara Cascudo e o Memorial Câmara Cascudo; em Belém, o Museu Paraense Emílio Goeld; em Salvador, Museu de Arte Afro-Brasileira, em Feira de Santana/BA, Museu Casa do Sertão; em São Paulo, Museu de Arqueologia e Etnologia da USP; em Aracaju, o Museu de Antropologia da Univ. Federal de Sergipe; em Maceió, o Museu Théo Brandão; em Caxias Do Sul/RS, o Museu e Arquivo de Caxias do Sul; em Goiânia, o Museu Antropológico Universidade de Goiás.
8. Você indicaria algum site interessante sobre folclore brasileiro, que sirva de apoio para pesquisas escolares?
Além do nosso, http://www.cnfcp.gov.br/, um site interessante é o http://www.jangadabrasil.com.br/, uma revista digital que divulga pesquisas, publicações e boa informação.
Há vários outros, e também museus e bibliotecas virtuais que você pode buscar nos temas 'cultura popular', 'folclore', 'literatura popular', 'danças populares' etc.
Entrevista com Lucila Silva Telles, Chefe do Setor de Difusão Cultural
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - CNFCP
Rua do Catete, 179, Catete (metrô Catete), Rio de Janeiro, RJ - Visite http://www.cnfcp.gov.br/
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